
O BRASIL DIANTE DO ESPELHO
Democracia, ressentimento social e os riscos de uma escolha eleitoral

Há eleições que escolhem governos e há eleições que, além disso, revelam sociedades. O primeiro turno brasileiro parece pertencer à segunda categoria. A urna, nesse caso, deixa de funcionar apenas como a velha máquina republicana de contar votos e passa a cumprir função bem mais incômoda, a de espelho. E espelho, como sabemos, possui um defeito imperdoável. Não discute conosco, não aceita explicações e tampouco melhora a fotografia para preservar nossa autoestima. Apenas devolve o rosto que colocamos diante dele. O Brasil que apareceu nas urnas é um país profundamente dividido, desconfiado das próprias instituições, atravessado por ressentimentos sociais que durante muito tempo permaneceram escondidos sob a superfície da cordialidade nacional e, talvez o mais preocupante, progressivamente acostumado a tratar como normal aquilo que até pouco tempo atrás provocaria constrangimento público. O bolsonarismo não inventou sozinho esse Brasil. Seria até reconfortante se fosse assim, porque bastaria derrotar eleitoralmente uma família e o problema estaria resolvido. A questão é justamente a inversa. O fenômeno prosperou porque encontrou matéria-prima abundante numa sociedade que já carregava seus preconceitos, seus medos, sua nostalgia da autoridade, sua desconfiança da política e aquela curiosa paixão brasileira pela desigualdade, desde que o desigual esteja sempre um degrau abaixo de nós. Deu linguagem política, identidade coletiva e, sobretudo, legitimidade pública a sentimentos que já existiam e que antes encontravam algum limite no constrangimento social.
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Na disputa entre Estados Unidos e China pelos minerais estratégicos, Flávio Bolsonaro propõe uma parceria de longo prazo com Washington. Entre promessas bilionárias e interesses geopolíticos, permanece uma pergunta que não cabe na fotografia dos dois políticos: quem ficará com a tecnologia, quem controlará a produção e quanto da riqueza permanecerá no Brasil?

Quantos caroços de mentira você engole...na política?
Na política, mentira não tem partido, tem freguês. O brasileiro fareja golpe no troco da padaria, mas, se o absurdo vier do político de estimação, abre a boca e pede repeteco. Com pequi, aprende desde menino a não morder o caroço. Com político, chega à idade de votar e ainda pergunta se pode engolir inteiro.